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  • Foto do escritorJoão Marcos

O que faz uma pessoa manter-se em uma relação abusiva?


Quantas vezes você já ouviu alguém dizer as frases: “Parece que gosta de apanhar... Porque aquela pessoa não sai dessa relação?”. Eu já ouvi muitas. E por isso, vim aqui responder à pergunta que frequentemente me fazem: por qual motivo tal pessoa não sai desse relacionamento abusivo?


Diversas questões podem estar ligadas à uma pessoa que se mantém em uma relação abusiva, mas dentre as mais comuns está a baixa auto estima, já que esta pessoa pode acreditar que nunca mais conseguirá encontrar alguém de novo, por exemplo.

A questão financeira também pode ser um fator, já que a vítima às vezes pode depender financeiramente do abusador(a/e), ou pelo menos acreditar que sim, já que este sentimento de dependência emocional pode ter sido desenvolvido e muitas vezes propositalmente pela própria pessoa que abusa ou violenta.


Acreditar que a pessoa que abusa um dia irá mudar, então a vítima acaba criando esperança ou expectativa de que um dia ele mude, reforçada pelas falsas promessas de melhora vindas do abusador.


É muito comum em que nestes casos a vítima sinta culpa, já que se encontra em um estado vulnerável e que muitas vezes o abusador distorce e manipula o acontecimento, levando a vítima a acreditar que na verdade a culpa é dela, o que favorece seu mantimento nessa relação.

O apego emocional também é um fator. Ao estar em um estado psicológico de constante intimidação, violências ou abusos, ao invés de repulsa, a vítima pode desenvolver simpatia ou até mesmo um laço emocional como uma forte “amizade” ou “amor” por ele(a/u), como uma forma de sobrevivência dentro de um ambiente tão violento.


Assim como não ter um autossuporte e autoestima bem estabelecidos podem ser um fator de risco de maior probabilidade de surgir uma relação violenta, o isolamento ou a perda de um heterossuporte saudável — pessoas próximas que podem ser familiares ou amigos(as/es) — também pode ser um grande fator que dificulta o rompimento de uma relação abusiva, e muitas vezes, esta perda de pessoas próximas também pode ser de responsabilidade do abusador(a/e) já que assim ele(a/u) se fortalece e facilita sua atuação abusiva.

Este tipo de abuso é muito comum e pode acontecer com qualquer pessoa, idade, níveis de escolaridade, orientação sexual e classe social.

O abuso pode vir de qualquer pessoa, seja em um relacionamento amoroso ou também de um parente ou familiar, como pai, mãe, filhos e etc. Por isso, esteja atento(a/e) aos sinais. As violências sutis são as mais difíceis de serem identificadas, e você que está lendo agora, provavelmente deve conhecer alguém que esteja passando por um relacionamento abusivo neste momento.

As introjeções sociais são crenças, muitas vezes de valores morais, que de forma muito sutil, nos tornamos permeáveis a elas durante a vida, e com isso podemos ter diversos impactos negativos na construção da nossa identidade e em um ser saudável.

Para exemplificar, uma das crenças sociais que temos enraizadas em nossa cultura ocidental é a de “honrar pai e mãe”, imposta junto à religião. Mas qual o problema de ter esta crença enraizada, aparentemente tão inofensiva?


Bom, quando generalizamos e crescemos com a crença de que os pais/marido/etc. devem sempre ser honrados, sutilmente podemos cair em um lugar de submissão, em que os pais sempre tem “razão”, e com isso, podemos estar sujeitos(as/es) à “permitir” violências contra nossos corpos quando cometidas.


Mas este é somente um exemplo dos diversos contextos onde pode surgir a crença de que é preciso aguentar um relacionamento abusivo.


A psicoterapia pode ser fundamental para que a vítima consiga se reestruturar emocionalmente, para que então consiga buscar por uma mudança neste cenário de violência no qual se encontra.


Se você se identificou com alguma das questões aqui respondidas, seja com quem violenta ou é violentado(a/e), talvez esteja na hora de considerar a psicoterapia. E se você conhece alguém que pode estar passando por isso, fique a vontade para compartilhar o link deste texto.


João Marcos de Souza Psicólogo CRP 08/34130

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